sexta-feira, 25 de setembro de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Vazio
O vazio é visível. Sólido. Cria barreiras, impõe limites. Cerca e é cercado.
O vazio é valioso. Está nos bolsos. Nas contas. Nos cofres. Na palma indicada, quando alguém joga as mãos para trás e depois, de braços cruzados, manda você escolher.
O vazio enche. A boca, a barriga, a cabeça. Até o coração.
O vazio é companheiro. Deita-se ao seu lado na cama. Abraça durante a noite. Prepara o café-da-manhã.
O vazio manda flores no dia seguinte. Com um envelope dourado. Revestido. E vazio.
O vazio lota. Ocupa assentos. Esgota ingressos. Tem lugar reservado na área Vip.
É sábio. Preenche linhas, assinala parênteses, resolve uma difícil equação.
O vazio é a oportunidade do nascimento. Mesmo que, mais cedo ou mais tarde, acabe, junto com os ossos, dentro do caixão.
sábado, 4 de julho de 2009
Nighthawks

I woke up in the middle of the night. A bad dream that, in fact, I didn’t remember quite well. The weather was cold and my mouth was dry. I turned my head aside and saw nothing but messy sheets: she had left me.
The only opened bar in town at that hour happened to be Phillies, where I used to be a regular - when I was younger and women didn’t dump me that easy. Getting there, the first thing I spotted was this couple. They seemed very bored. Both were in total silence, as if it didn’t matter whether one or the other was really there. The woman was wearing a red dress that matched her hair. But not even so much red could call the attention of that man, who kept holding her hand just like it was a cup of coffee. Then I started to think if the woman who left me held my hand at the same way. And I realized I didn’t remember her holding my hand at all.
The bad thing about Phillies is the coffee. It looks and tastes like dirty water. Worse: cold dirty water. But, that night, with that sour feeling on my mind, I believed that I deserved nothing else.
“No sugar, please.”
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Velocidade de Cruzeiro
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Contra o Sol
O Sol ataca pelas costas. Bate na cara, esquenta a cabeça. O Sol torna o corpo mole e a alma estéril. O Sol expõe. É óbvio. É burro. O Sol é maldoso. Ofusca enquanto mostra. O Sol não cai do céu. O Sol é o inferno.
O Sol é cego. Põe-se atrás de uma lupa. Chega de penetra, entra pelas frestas, decreta o fim das festas. O Sol engana. O Sol abafa. O Sol é fogo. Derrete geleiras e desmancha prazeres. O Sol se esconde. É covarde. Deixa na mão. E também queima, sem remorso, os corpos estirados no chão.
O Sol faz mal. Faz feder. Faz secar. É inadequado: estraga piquenique em dia de chuva, acaba com a esperança do cancelamento, obriga a sair do conforto do lar.
O Sol enche cedo, o Sol já vai tarde.
O Sol, ah, o Sol que arda em febre, o Sol que se exploda, o Sol que se apague.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Pequenos Contos Pedófilos e Incestuosos
Castigo
Na cama, ao fim de um bocejo, o pai acorda a mãe.
- Sua filha está chorando de novo.
- Vou levar a chupeta pra ela.
- Não, espera...deixa que eu vou.
Hereditário
Ele, em pé, olhava de cima a filha ajoelhada. Segurando a cabeça da menina com as duas mãos, empurrou até a garganta. Viu as lágrimas escorrerem. Em seguida, a baba. “Fresquinha que nem a mãe.”
O Brinquedo
Quanto mais o pai se divertia com a filha, mais ela entendia que aquilo não era brincadeira.
A Filha do Meio
- Pode tirar a calcinha, minha filha . Você é a próxima.
Visitas
Encolhida debaixo das cobertas. “Por que será que o papai está fechando a porta assim tão devagarinho?”
Já tá na Idade
- Senta aqui no colinho, minha filha.
- Não tenho mais idade pra isso, pai.
- Pelo contrário, agora é que você tem.
O Curioso
Não fazia por maldade. Só queria saber como era a sensação de ser pai e avô ao mesmo tempo.
Verdades
Pai é quem cria. E quem estupra.
Pai Coruja
- Então era por isso que você só chegava em casa de madrugada?
- ...
- Eu pago o dobro da sua mesada.
Questão de Condicionamento
Quando era bem pequena, o pai dizia que era bom. De chupar, de lamber. Num dia dizia que era de chocolate. No outro, de morango. No outro, de coco queimado. Dizia que ela tinha poderes mágicos. De aumentar coisas. Era só botar a mão e, inexplicavelmente, ficava maior. O final ela adorava. Todo mundo sabe como criança gosta de se lambuzar. Hoje, já mais grandinha, continua brincando com ele. E achando tudo muito normal.
